O futuro e a Tecnologia

Faz cerca de um mês que Antônio Roberto Sposito, meu primo Betto, me convidou para escrever para a Mobled Magazine. Aceitei prontamente, mas desde então, tenho quebrado a cabeça para achar a melhor forma de contribuir. Sou jornalista e trabalho há 15 anos no setor de Tecnologia da Informação. E acredito que minha reflexão venha justamente deste termo tão banalizado nos últimos anos: a tecnologia.

O Início

Pra começar, é importante voltarmos à origem do termo em grego (TECHNE = Técnica; LOGOS = razão). Apesar de muita gente hoje em dia entender tecnologia como internet, como os meios digitais, os aplicativos, start ups, etc, a palavra pode ser resumida de forma bem simples: Tecnologia é o Estudo da Técnica. Se pensarmos, é provável que a invenção da roda tenha tido em sua época um impacto tão grande quanto teve o surgimento da internet em nossa geração. Uma simples colher foi em algum momento da história uma invenção tecnológica. Toda tecnologia surge de uma necessidade, de um problema a ser resolvido e não o contrário. Não existe tecnologia que não parta do desejo de resolver algo.

Um exemplo conhecido é a história do comércio de gelo. No princípio, apenas aqueles que viviam em regiões frias tinham acesso a esse produto. Muitos comerciantes cortavam blocos de gelos em lagos congelados ou geleiras e transportavam até vilarejos próximos, onde podiam vender aquilo que não tinha derretido no caminho. Para ampliar seu mercado, foram obrigados a pensar em soluções para manter a temperatura dos blocos e poderem levá-los a cidades e vilarejos mais distantes.

Logo, surgiram os primeiros frigoríficos que podiam estocar gelo em ambientes mais quentes. Daí, foi um pulo até que fossem criadas as primeiras geladeiras domésticas que acabaram com o negócio do transporte de gelo (Tudo bem, vai…a gente ainda compra uns sacos pra gelar a breja do churras, mas pode ter certeza de que aqueles cubinhos não vêm do Polo Norte!). Todas essas transições tecnológicas, que surgiram de necessidades específicas, transformaram seus mercados em suas épocas. Muita gente faliu, muita gente enriqueceu. Mas todos tiveram que se reinventar.

Qual Sentido?

Nesse sentido, é preciso pontuar a importância de conhecer profundamente o seu negócio e os seus clientes. O que eu entrego? Pra quem eu entrego? Hoje pode parecer óbvio, mas imagine o grau de criatividade e perspicácia que os comerciantes de gelo precisariam ter naquela época para entenderem que não vendiam gelo – eles vendiam o frio. Um caso bem emblemático dessa falta de entendimento do próprio negócio foi a Blockbuster.

Quem viveu a década de 1990 sabe que a locadora de filmes era um verdadeiro império, presente em diversos países, ocupando espaços nobres das maiores cidades. Ir à Blockbuster era um programa de família, uma diversão crucial dos finais de semana. Mas por que a Blockbuster não se tornou o Netflix? É uma pergunta com inúmeras respostas, mas é bem possível que os acionistas enxergassem a empresa como um negócio de locação de fitas VHS e DVDs e não como um business de locação de filmes. A Evolução da Técnica (streaming) acertou em cheio o negócio deles.   

O Ato da criação do Novo.

Muitos podem não acreditar, mas eu, Beto e outros primos, atuamos juntos em inúmeras peças de teatro quando éramos crianças. Um dos exercícios teatrais mais divertidos acontecia assim: nós encenávamos uma peça. Aí, o diretor pedia: “Ok, agora a mesma cena, mas todo mundo com sotaque japonês.” Em seguida: “Legal, agora a mesma cena, com sotaque japonês e pulando com uma perna só”. E assim por diante, ele ia adicionando dificuldades que nos tiravam da zona de conforto e nos obrigavam a criar e a improvisar novas soluções.

É mais ou menos assim que vejo a dificuldade de tocar um negócio. A cada momento, são adicionadas dificuldades que nos obrigam a criar, a inovar. A pandemia é um desses momentos. Foi adicionada em nossas vidas uma dificuldade extrema. Que vai nos obrigar a quebrar a cabeça. Mas apesar de tudo, apesar do enorme impacto deste acontecimento em nossas vidas, estou seguro para afirmar que aqueles que enxergam com clareza os valores intrínsecos de seus produtos, de suas entregas, serão os propulsores das tecnologias do amanhã – e moldarão o futuro que está pra surgir.   

O Futuro e a Tecnologia da Informação
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